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Glastonbury – A Lendária Avalon


Elevando-se acima das planícies de Somerset Levels, Glastonbury Tor, em cujo cimo se ergue a torre de uma igreja em ruínas, constitui um marco inigualável de um dos lugares mais misteriosos da Inglaterra. E isto porque Glastonbury, local de uma primitiva povoação cristã, está imersa em abundante riqueza de tradições e lendas, de mito e romances. 

Esta pequena e animada povoação atrai visitantes de todos os gêneros: românticos fascinados pela lenda do Rei Arthur, peregrinos à procura da herança da antiga cristandade, místicos em busca do Santo Graal, enquanto astrólogos são seduzidos pelos rumores da existência de um zodíaco na paisagem. Glastonbury não era mais do que uma ilha rodeada de pântanos quando os primeiros cristãos ali se estabeleceram. 



A primeira data digna de menção é de cerca de 750 d.C. quando o Rei Ine fundou ali um mosteiro. Escavações arqueológicas trouxeram à luz restos de primitivas construções feitas de vime e barro, enquanto dos muitos edifícios de pedra construídos ao longo dos séculos restam apenas o contorno.

Avalon, chamada de Avilion por Malory, surgiu pela primeira vez na história de Arthur através de Godofredo de Monmouth. Godofredo juntou uma miscelânea de tradições com relação à sobrevivência de Arthur e ao lugar de refúgio: tanto para britânicos, bretões ou galeses, o lugar é sempre um paraíso cercado de água, localizado na região costeira, que se chamava Avalon.

E disse: 

"O renomado rei Arthur, gravemente ferido, foi levado para a ilha de Avalon, para a cura de suas feridas, onde entregou a coroa da Bretanha a seu parente Constantino, filho de Cador, duque da Cornualha, no ano de 542 do Nosso Senhor". 

Mais tarde, no livro Life of Merlin, Godofredo descreve o lugar como uma ilha fantástica, habitado por nove damas, uma das quais a sua irmã, a fada Morgana.

Grande é a associação de Glastonbury com Avalon. A grande abadia de Glastonbury foi fundada no século V. A seu lado havia uma pequena igreja, muito antiga, de paredes de taipa, que se dizia ser o primeiro santuário construído na Bretanha, e, assim, associado a José de Arimatéia, que teria trazido o Santo Graal para a Bretanha. 



Em 1184, um incêndio destruiu a pequena igreja, bem como a maioria dos prédios da abadia. Um programa de reconstrução foi então iniciado por Henrique II, mas, como demandava somas intensas, era necessário alguma coisa para atrair peregrinos com suas bolsas.

Giraldus Cambrensis, um galês de ascendência parcialmente normanda, produziu então, entre 1193 e 1199, um obra intitulada De Principis Instructione, na qual registra que Arthur teria sido um benfeitor da abadia e que teria sido na verdade enterrado nela, já que seu corpo fora encontrado em 1190. Jazia entre duas pirâmides de pedra que marcavam os locais de outros túmulos, a 5 metros de profundidade, envolvido em um tronco de árvore oco. 

Do lado de baixo do tronco que servia de caixão, havia uma pedra e abaixo dela uma cruz de chumbo na qual estavam gravadas as seguintes palavras em latim: 

"Aqui jaz enterrado o renomado rei Arthur com Guinevere, sua segunda esposa, na ilha de Avalon." 

Dois terços do caixão eram ocupados por um homem de tamanho incomum e o restante por ossos de uma mulher, juntamente com uma trança de cabelos loiros que virou pó ao ser tocada por um monge. A tal descoberta teve o sucesso que interessava e Glastonbury tornou-se uma atração turística.

Godofredo de Monmouth dissera que Arthur fora levado embora, mortalmente ferido, para a ilha de Avalon. A partir do momento que os ossos de Arthur teriam sido encontrados em Glastonbury, junto com a cruz funerária que dizia que ele teria sido enterrado em Avalon, Glastonbury tornou-se sempre Avalon. 

Guilherme de Malmesbury, em sua Gesta Regum Anglorum (Gesta do Rei dos Anglos), de 1125, apenas menciona o fato de os britânicos chamarem Glastonbury de Inis Witrin, a Ilha de Vidro. Caradoc de Lancafarn, em sua Life of Gildas, de 1136, repetiu que os britânicos a chamavam de Ynis Gutrin, Ilha de Vidro. Giraldus Cambrensis e Ralph, abade de Coggeshall, em sua Chronicon Anglicanum (Crônica Anglicana), foram os dois primeiros escritores a dizer que Glastonbury era Avalon.




(Fonte: http://www.knight.hpg.com.br e http://www.asbrumasdeavalon.hpg.com.br)






Os segredos de Stonehenge





OS SEGREDOS DE STONEHENGE
(Por Evan Hadingham)

Visto à distância, o círculo de pedras cinzentas denominado Stonehenge afigura-se pequeno na planície desolada e batida pelos
ventos de Salisbury, no sul da Inglaterra. O horizonte ermo e plano é apenas interrompido por Stonenhenge, rodeado de campos de pastagem. Mais próximo do monumento, porém, as dimensões colossais dos blocos de pedra, alguns com mais de 4 m de altura, causam uma viva impressão.

Stonehenge parece desafiar as forças do tempo e da Natureza, bem como as pretensões dos que procuram descobrir seu significado. Podem interrogar-se cem vezes estes gigantes de pedra tosca que tristemente contemplam os seus companheiros derrubados; a nossa curiosidade, porém, abate-se ante o vasto silêncio luminoso que os envolve...

MAIS ANTIGO QUE OS DRUIDAS

No século XVII, anteriormente ao advento da arqueologia como ciência, os historiadores pensavam que Stonehenge fora construído pelos druidas, os sacerdotes vestidos de branco dos celtas da Grão-Bretanha e da Gália, dos quais se tinha conhecimento através de referências da autoria de escritores romanos. Atualmente, esta idéia é ainda largamente difundida, embora não contribua minimamente para esclarecer o mistério, pois é do conhecimento geral que Stonehenge já existia, pelo menos, 1000 anos antes dos druidas.

No entanto, a teoria dos druidas não é de modo nenhum a mais rebuscada das várias explicações oferecidas por arqueólogos e historiadores para explicar a existência de Stonehenge.

O interesse por tão fantasiosas idéias foi ainda intensamente estimulado após a descoberta nas proximidades de várias sepulturas pré-históricas contendo punhais de bronze e ornamentos de uso pessoal de folha de ouro, osso, âmbar, cerâmica e pedra polida.

A mais famosa descoberta deste tipo foi relatada em 1808 pelo conhecido arqueólogo inglês Sir Richard Colt Hoare, que organizou a escavação de um monte funerário pré-histórico muito próximo de Stonehenge. Deparou-se-lhe o esqueleto de um homem alto e vem constituído, junto do qual se encontravam um machado, vários punhais e objetos de cerimonial, incluindo uma clava com a parte superior de pedra polida e engastes de osso trabalhado. Havia ainda um gancho para bainha de espada de ouro, delicadamente lavrados com uma profusão de linhas e que provavelmente estariam presos ao vestuário do morto.

A magnificência destes túmulos dourado, aliada ao caráter único da arquitetura de Stonehenge, sugeriu a Sir Richard e aos seus contemporâneos a concepção de que os bretões antigos teriam certamente importado ad técnicas que utilizavam. Alguns arqueólogos atribuíram a grande riqueza destes túmulos a um pequeno invasor de guerreiros da idade do bronze que se teria fixado em Stonehenge e orientado a população nativa menos qualificada na construção do monumento. Um dos lugares de origem propostos para estes invasores foi Micenas, a grande cidadela homérica, no continente grego. Alguns dos objetos preciosos, nomeadamente as contas de cerâmica e os discos de âmbar ligados como ouro, indicavam relações comerciais com a região do mar Egeu e remotamente com e Egito

Outro local de origem atribuído a estes invasores da idade do bronze seria a Bretanha, região famosa pelos espetaculares monumentos de menires - grandes pedras fixadas na posição vertical-, como os que existem em Carnac, onde milhares de enormes blocos se encontram dispostos em filas paralelas.

Também nesta zona se concentra o maior número de túmulos individuais de guerreiros ostentando riquezas notáveis, se bem que não existam provas de que foi este povo da idade do bronze o construtor das pedras de Carnac. Não há dúvida, porém, de que o tipo de objetos descobertos nos montes funerários da Bretanha, especialmente os punhais de bronze, apresentam semelhança flagrantes com os da região de Stonehenge.

RELAÇÕES COMERCIAIS COM O MEDITERRÂNEO?

A determinação de uma nova data para Stonehenge (cerca de 2.750 ac) obtida pelo processo do carbono-14 causou grande surpresa no meio arqueológico. O plano Stonehenge não poderia incontestavelmente ter-se inspirado na arquitetura da zona do mar Egeu, pois pertencia a uma época anterior; cerca de quatro ou cinco séculos - ao período micênico. Do mesmo modo, as datas de dois dos túmulos dourados eram muito mais tardias do que se presumia, e assim alguns objetos exóticos – os discos de âmbar e as contas de cerâmica - poderiam na realidade ter sido adquiridos ou importado do Mediterrâneo. Admite-se ainda a possibilidade de que, pelo mentos durante parte do período de prosperidade e poder da região de Stonehenge depois de cerca de 1.900 ªc , ali se tivessem fixado guerreiros bretões, que constituiriam o núcleo de uma aristocracia que governou pelo menos durante 600 anos.

IMPORTANTES LOCAIS DE REUNIÃO

De um modo geral, os círculos de pedra em torno de sepulturas são mais freqüentes no Norte que no Sul da Grã-Bretanha; estes monumentos assinalam provavelmente os túmulos de chefes ou grandes guerreiros importantes.

Na última década, o interesse do grande público foi despertado por determinadas teorias que apresentavam Stonehenge como um complicado observatório astronômico, talvez mesmo uma espécie de computador pré-histórico.

A estrutura de Stonehenge parece ainda incluir alinhamentos relativos ao nascer e ao ocaso da Lua. A curiosidade ciêntifica ou objetivos religiosos, ou provavelmente ambos, poderiam explicar o estudo sistemático dos movimentos da Lua levados a efeito em Stonehenge. O interesse dos construtores pela Lua pede perfeitamente ter sido despertado quando chegaram a conclusão de que a Lua não segue os movimentos anuais do sol.

Na realidade, além do seu próprio esquema mensal relativo ao nascer e ao ocaso, a Lua segue um outro ciclo que dura 18,61 anos. Próxmo da entrada do monumento, cerca de 40 pequenas covas para a fixação de postes, agrupados em seis filas, coincidem de modo notável com a posição mais setentrional da Lua durante este ciclo. Dado que as filas são em número de seis, é possível que estes postes correspondam a seis ciclos lunares, ou seja a mais de um século de meticulosa observação dos movimentos da Lua.

A explicação definitiva está, porém, longe de ser alcançada, pois o monumento conserva um halo misterioso que tem resistido, durante séculos, a pesquisas e suposições. Se Stonehenge foi muito provavelmente um observatório e um templo, pode também ter servido outros objetivos que continuam a pertencer ao reino do desconhecido.

(Texto de Evan Hadingham)


Um pouco sobre Stonehenge




Stonehenge é um poderoso magneto que ainda não pode ser decifrado. Os saxões chamavam ao grupo de pedras erectas "Stonehenge" ou "Hanging Stones" (pedras suspensas), enquanto os escritores medievais se lhes referem como "Dança de Gigantes".

A construção de Stonehenge teve início cerca de 3.500 a.C.. Foi construído primeiro uma formação circular em torno da qual se dispunha 56 fossas conhecidas como Aubrey Holes, formando um anel. A primeira pedra erecta, Heel Stone, foi colocada do lado de fora da única entrada da fortificação. O segundo monumento foi iniciado passados 200 anos ou mais tarde ainda. Novos construtores edificaram uma avenida de monólitos que ligava o henge ao rio Avalon a cerca de 3,2 Km de distância.

Embora o templo místico de Stonehenge tenha sido abandonado há cerca de 3000 anos, boa parte dele sobreviveu e a sua magia nunca desapareceu. Atribui-se ao mago Merlim o levantamento das pedras, enquanto que a população local acreditou por muitos anos que as pedras tinham poder curativo que, quando transferidos para a água, conseguiam curar todo o tipo de doenças.

Durante séculos, Stonehenge foi cenário de reuniões de camponeses e nos últimos 90 anos os "druidas" modernos celebraram aqui o solstício de Verão. Durante aproximadamente 20 anos, milhares de pessoas se reuniam no local todos os meses de junho para assistirem ao festival que aí tem lugar. Mas em 1985 as autoridades proibiram tanto a vinda dos druidas como o festival em si, receosas de que as pedras, assim como a paisagem circundante, possam ser danificadas.

(Desconheço a autoria)